Por que compramos coisas que não precisamos?

O consumismo tem profundas bases psicológicas.

Publicado originalmente em: psychologytoday.com

Como a Hierarquia das Necessidades Humanas de Maslow mostrou, não precisamos de muito para sobreviver fisicamente em nossa era moderna. Comida, abrigo e roupas são essenciais. Há muitas outras coisas que não são estritamente essenciais, mas é bom tê-las para viver em sociedade.

Além disso, porém, muito do que compramos não é necessário para sobreviver. Não precisamos de cafés de R$15,00, 10 ou 20 pares de sapatos, televisões de última geração ou um carro de luxo. Mas quase todos nós temos esses desejos de consumo que não são essenciais, levantando a questão de por que isso acontece.

Pode-se até dizer que comprar coisas que não precisamos é a base do nosso modo de vida, alicerçado no capitalismo de consumo. Trabalhamos para ganhar dinheiro para gastar em coisas e experiências que são mais desejadas do que necessessárias. Um ciclo econômico sem fim que geralmente determina como usamos o tempo limitado que temos na Terra.

Mas por que fazemos isso afinal?

Já existem muitas teorias sobre por que gostamos de comprar coisas de que não precisamos, embora isso exija um alto preço em nossas vidas. A primeira explicação é que somos, talvez mais do que qualquer outra coisa, consumidores. Isso faz com que seja sensato olharmos para o mercado em busca de satisfação e felicidade.

Ter mais coisas custa mais dinheiro. Assim como ter coisas mais caras, criando a sensação de que sempre há algo a mais e/ou melhor para comprar. O consumo pode ser bom para a economia e temporariamente recompensador. Mas há evidências abundantes que sugerem que esse modelo de vida baseado no consumo desenfreado não é a melhor maneira de obter satisfação e contentamento duradouros. Tampouco vai nos ajudar a atingir nosso pleno potencial como seres humanos.

Fazemos isso pelo status?

O status social claramente tem muito a ver com a compra de coisas desnecessárias. A forma como alguém é percebido pelos outros depende muito do seu “portfólio de marcas”. Ou seja, o conjunto de símbolos baseados no mercado que cada um de nós reuniu e estão prontamente disponíveis para compra. As coisas desnecessárias transmitem um status muito maior do que as coisas necessárias. Por isso, é possível compreender por que aqueles que buscam reconhecimento social são atraídos por bens de luxo e por experiências que oferecem o direito de se gabar.

Críticos sociais apontaram os custos de nosso estilo de vida. Em seu livro, The Overspent American (O Americano Esbanjador, em tradução livre – sem tradução para o português), a autora Juliet B. Schor discorre sobre o que ela chamou de “consumismo competitivo”, argumentando que o modo de vida americano era excessivamente materialista.

“Gastamos mais do que imaginamos, temos mais dívidas do que admitimos e ignoramos muitos dos conflitos morais que cercam nossas aquisições”, escreveu Schor no livro de 1998, tudo isso na busca incessante de símbolos de status e ascensão social. Schor, uma economista de Harvard cujo livro anterior era The Overworked American (O Americano que Trabalha Demais, em tradução livre – sem tradução para o português), sugeriu que estávamos em pior situação por todos esses gastos excessivos, deixando-nos insatisfeitos.

Construímos nossas identidades através do que compramos

Ainda assim, deve haver um valor considerável na compra de itens não essenciais ou as pessoas simplesmente não o fariam. A cultura do consumo é a principal maneira de esculpir nossas identidades individuais e é isso que oferece pistas sobre a base psicológica de nossos hábitos de consumo.

Finalmente, há poder na posse do desnecessário. Muito do que acontece neste mundo está além do nosso controle. Mas a posse de uma coisa em particular, principalmente se ela não for essencial, oferece a sensação de estarmos no comando de nossas próprias vidas. Tornamo-nos senhores de uma pequena parte do universo sempre que trocamos dinheiro por um item. Isso nos dá uma sensação de segurança e estabilidade em um tempo e lugar onde há muitas incógnitas.

Fonte: psychologytoday.com


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