5 mudanças no cérebro e no corpo que nos ajudam a amadurecer

Publicado originalmente em psychologytoday.com

Pode ser surpreendente descobrir que algumas pessoas mais velhas relatam ser mais felizes, mais equilibradas e otimistas. Como assim? Especialistas em envelhecimento já deram várias explicações sobre este fenômeno. A maioria envolve nossa percepção de que há um tempo limitado pela frente, o que nos motiva a saborear o que resta dele. Essa mudança de perspectiva pode nos levar a procurar o que é positivo, focar no que é mais emocionalmente significativo e cuidar melhor de nossos relacionamentos.

O que é ainda mais surpreendente e menos conhecido é que mudanças normais, mensuráveis ​​e relacionadas à idade na função cerebral também ajudam a explicar nosso amadurecimento com a idade. Listamos cinco dessas mudanças a seguir:

As sensações corporais são menos intensas

Os sinais neurais estão continuamente fluindo de nossos principais órgãos corporais e sendo respondidos por nossos cérebros em um processo chamado interocepção, que nos mantém em equilíbrio fisiológico, garantindo assim nossa sobrevivência. Esse processo milagroso também gera nossa consciência, nossa percepção emocional e o senso de “eu”.

Pesquisas neurocientíficas recentes mostram que a interocepção diminui com a idade, o que significa que nossos corpos são menos excitados e reativos a várias sensações internas. E porque nossas emoções são criadas a partir de nossas sensações corporais, nossas emoções também se tornam menos voláteis.

A amígdala é menos ativada

Pesquisas recentes que utilizaram resultados de exames de ressonância magnética revelam uma das principais razões pelas quais as pessoas mais velhas se tornam mais positivas em suas perspectivas. Há um declínio na amígdala, que é a parte do sistema límbico do nosso cérebro responsável pelas reações emocionais, especialmente aos estímulos negativos.

À medida que envelhecemos, portanto, temos menos emoções negativas, principalmente raiva , aumentando assim nossa sensação de bem-estar. (A ativação da amígdala para estímulos positivos permanece a mesma ao longo da idade.)

Temos mais controle cortical

Outra linha de pesquisa neurocientífica argumenta que as pessoas mais velhas tendem a ser mais otimistas porque são capazes de assumir um controle mais cognitivo e cerebral de nossas emoções. Elas conseguem mudar o foco de atenção, direcionando-o para metas ou memórias mais positivas.

Pensamento mais associativo

Por outro lado, também parecemos ser capazes de deixar nossos cérebros “irem mais longe” à medida que envelhecemos. Temos uma capacidade maior de fazer novas conexões entre ideias de diferentes partes e níveis do nosso cérebro.

Estudos mostram que o reconhecimento de padrões e o pensamento inovador melhoram à medida que envelhecemos. E o fato de nos distrairmos mais facilmente à medida que envelhecemos pode nos permitir encontrar novas soluções em caminhos incomuns. Essa nova capacidade associativa criativa provavelmente aumenta o bem-estar.

Nossos hormônios diminuem

A menopausa transforma corpos femininos mais velhos são de muitas maneiras que já conhecemos. Mas nem sempre nota-se que nossos corpos ficam “mais silenciosos” por dentro. Há uma ação menos dramática dentro do teatro de nossos corpos sem as oscilações hormonais cíclicas de nossos anos mais jovens.

Como resultado, estamos realmente preparados para sentir nossos corpos de forma mais profunda e prazerosa. O envelhecimento pode, assim, desbloquear uma nova habilidade transformadora de realmente “viver” em nossos corpos, de nos sentirmos mais realizados.

O amadurecimento pode nos deixar ainda melhores

Pode ser que as cinco explicações sejam verdadeiras e funcionem em conjunto: isto é, uma combinação de consciência interoceptiva reduzida, uma amígdala menos reativa, maior domínio cerebral de estímulos negativos, melhor pensamento fora da caixa e a diminuição dos hormônios femininos nos permite ter uma vida emocional melhor regulada e mais positiva.

Como nossos corpos estão mais quietos, estamos mais abertos às experiências que surgem de dentro, mesmo que essas experiências em sua fonte sejam menos intensas. E enquanto nossos sinais corporais internos são mais sutis, nossa percepção e interpretação deles se tornam mais complexas depois de muitos anos experimentando diferentes possibilidades e aprendendo o que funciona e o que não funciona.

Essas mudanças fisiológicas e perceptivas relacionadas à idade, juntamente com as mudanças psicológicas na perspectiva do tempo, nos permitem experimentar nossos corpos de forma mais profunda, prazerosa e serena.

Fonte: psychologytoday.com


Conheça o curso A Química da Vida!

Clique aqui!